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INFORMAÇÃO / REPORTAGENS


A juíza Ruth Bader Ginsburg foi a segunda mulher a ocupar uma vaga na
Suprema Corte americana, indicada por Bill Clinton, e hoje é uma diva das
novas gerações
Foto: Arte de Nina Millen sobre foto de divulgação

Ruth Bader Ginsburg, conhecida como RBG, defensora ferrenha dos direitos das mulheres e avessa à política de Trump, tem sua história contada no filme 'A juíza', que estreia no Brasil nesta quinta-feira, 23

RIO - Ruth Bader Ginsburg se tornou um ícone pop inesperado na cultura americana. A juíza, de 86 anos, é enaltecida e admirada por liberais de seu país pelas suas decisões na Suprema Corte dos Estados Unidos, mas poucos conhecem sua história pessoal. Por isso, a cineasta, jornalista e professora da Universidade Columbia Betsy West decidiu contar esta história em um longa-metragem em que assina a direção com Julie Cohen. O documentário "A Juíza" estreia nos cinemas e em serviços de streaming do Brasil nesta quinta-feira, dia 23.

Para Betsy West, que esteve no Rio em abril para o RIO2C, falar das ações de mulheres é um campo de boas histórias que ainda não foram contadas:

— Eu acho muito gratificante fazer histórias sobre o que as pessoas não sabem. Falar sobre questões e pessoas importantes que elas não conhecem, sobre as muitas contribuições de mulheres que foram ignoradas ao longo dos anos. Então é um campo óbvio para encontrar boas histórias. É importante contar as histórias esquecidas de mulheres — afirma a cineasta.

Ruth Bader Ginsburg moldou sua carreira em defesa dos direitos das mulheres, combatendo a legislação discriminatória dos Estados Unidos. Ela foi uma das nove mulheres entrar em 1956 para a Faculdade de Direito de Harvard, onde havia 500 homens.

Entre seus feitos, ainda advogada, está a mudança, realizada pela Suprema Corte, na lei que dizia que homens devem ser preferidos em detrimento de mulheres como gestores de estado, em vigor em Idaho até 1971. Quatro anos depois, Ginsburg provou frente à Suprema Corte que as leis discriminatórias com base em gênero também prejudicam homens, ao representar um viúvo com um filho pequeno que, após a morte da esposa, não tinha direito à assistência previdenciária para a criança, já que o benefício era destinado apenas às mães. Em paralelo, Ginburg contava com um companheiro que foi ferrenho apoiador de sua carreira.

— Ela tinha um marido que a apoiou nos anos 60 e 70, um tempo em que homens não costumavam ficar tão felizes por verem suas mulheres crescerem e se tornarem bem sucedidas. Ele era um advogado bem-sucedido, mas reconhecia que o que ela estava fazendo pelos direitos das mulheres era ainda mais importante — conta Betsy. — A história de uma mulher enfrentando obstáculos e não sendo desencorajada, mas descobrindo de uma forma estratégica como lutar contra as formas de restrições que ela encontrava, é importante para todas as mulheres. Ela não só ficou brava sobre o que acontecia com ela quando era discriminada, mas canalizou sua raiva para uma ação efetiva e de longo prazo para mudar a lei nos Estados Unidos.

 Para a diretora do documentário, Ruth Bader Ginsburg é declaradamente uma feminista desde que descobriu as leis (machistas) que discriminavam as mulheres.

— Ela nunca foi uma pessoa que vai às ruas e marcha. O estilo dela é usar seu cérebro e seu talento no Direito para ajudar a mudar o mundo para as mulheres americanas. Foi nisso que colocou suas energias — afirma.

Betsy considera importante reavaliar a História para jogar mais luz às ações ignoradas de mulheres importantes.

— Homens estiveram no comando e eles retransmitem as histórias de outros homems. Acho que temos que reavaliar a forma como a História tem sido contada e por que as pessoas não sabem o que Ruth Bader Ginsburg fez. Não está nos nossos livros, e agora as pessoas estão começando a entender. É reordenar e reconsiderar como metade do mundo influenciou em nossas vidas.

Ginsburg foi a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Suprema Corte dos EUA, nomeada pelo então presidente Bill Clinton, em 1993. Para Betsy, o sucesso do documentário além dos Estados Unidos é um reflexo de como as mulheres têm buscado referenciais femininos nos últimos anos.

— Mulheres estão cansadas de serem colocadas para baixo, serem marginalizadas e não ter as oportunidades que seus talentos merecem. Eu acho inspirador ver as histórias de outras mulheres que enfrentaram enormes obstáculos, como Ruth Bader Ginsburg, e como elas superaram essas adversidades.

A equipe de "A Juíza" teve mulheres como chefes das principais funções, como conta a diretora:

— Minha co-diretora é uma mulher e foi muito importante para nós que fôssemos à Suprema Corte filmar Ruth Bader Ginsburg com uma equipe de mulheres. Foi ótimo.

Nos Estados Unidos, a figura de Ginsburg tem sido encontrada em itens como canecas, pôsteres, camisetas e até mesmo tatuagens. A juíza ganhou a alcunha de "Notória RBG" em referência ao rapper Notorius BIG.

O filme, que em inglês leva o título de "RBG", estreou nos Estados Unidos há um ano e foi considerado sucesso para os parâmetros de público de documentários, chegando a ser indicado em duas categorias no Oscar deste ano. A vida da juíza também inspirou um longa-metragem de ficção, o filme "Suprema".

Autor(a): Isabela Aleixo - Estagiária sob supervisão de Renata Izaal
Fonte: oglobo.globo.com/celina/icone-pop-feminista-juiza-mais-idosa-da-suprema-corte-dos-eua-tem-vida-retratada-em-documentario-23633504

 

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