Logomarca Velhos Amigos
INFORMAÇÃO / VOVÔ AMA VOVÓ

CIÚME E SEPARAÇÃO
publicado em: 02/02/2017 por: Lou Micaldas

Aprendemos ao longo da vida que o ciúme é uma prova de amor, conceito este herdado de várias gerações. E até crimes já foram praticados e absolvidos pela justiça, alegando-se legítima defesa da honra e do amor.

Somos dotados de inúmeros sentimentos inatos, peculiares ao ser humano, como raiva, medo, inveja, amor, ciúme, etc.

Todos são sentimentos normais e fazem parte da vida; porém, quando exagerados, passam a ser doentios, patológicos e precisam ser tratados por psicoterapeutas.
Na infância, somos dependentes de nossos pais. Dependemos deles pra sobreviver; precisamos de sua proteção e de afeto pra crescermos, física e emocionalmente, saudáveis.

Acontece que, durante a nossa infância e até alcançarmos o amadurecimento, nos sentimos sempre ameaçados de perder o amor materno; ao "ganharmos um irmãozinho", quando somos criticados, castigados e agredidos com surras e, pior que isso, quando somos ignorados.

É natural que a criança se agarre na barra da saia da mãe e se torne possessiva, com medo de dividi-la com qualquer outra pessoa. É nessa fase que surge a primeira expressão de ciúme, que é o medo de perdermos o amor daquele de quem dependemos.

Quando crescemos e descobrimos o amor romântico, e aprendemos que é "impossível" sermos felizes sem "possuirmos" o nosso par pra todo o sempre, eis que somos tomados pelo antigo sentimento de medo, de insegurança e fazemos da pessoa amada a nossa razão de viver.

A dependência afetiva é que provoca o ciúme descontrolado, que tenta limitar a liberdade do outro, inclusive a liberdade de pensamento.

Quantas vezes pessoas se vêem cismadas com o que o outro está pensando? Não é raro saber de brigas só porque a cara metade foi pega meio "out", em pleno devaneio...

O ciúme é destruidor da felicidade. Muitos passeios e festas, que poderiam ser motivos de prazer e ocupar lugar de destaque nas boas lembranças de um convívio, transformam-se em desgostos e frustrações recíprocas, causadas pelo ciúme.

A pessoa que tem auto-estima elevada é segura de si e não teme a perda do parceiro, nem se sente infeliz quando está sozinha. Ela se basta e o amor, quando surge, traz alegria e não sofrimento.

Aquele que se sente seguro não entra em disputa, não mede forças, não faz jogo, não tenta manipular, nem faz ameaças.

O ciumento sofre de baixa-estima, não acredita que possa ser amado incondicionalmente, porque ele mesmo não se admira, não se ama e tem um conceito de si próprio negativo.

A insegurança leva, muitas vezes, a pessoa a se tornar agressiva, a se tornar cruel em suas constantes críticas.

O seu sentimento de menos valia cria uma forma hostil e mesquinha de diminuir o outro.

O medo descontrolado da perda cria esse mecanismo de desvalorizar de tal forma o parceiro que, ao invés de unir, afasta a pessoa. Ninguém é feliz se sentindo perseguido.

Ora, quem não se ama não sabe amar e não suporta ficar sozinho consigo mesmo; precisa ter sempre alguém a seu lado.

O medo da solidão é fruto desta desordem emocional. Pensando em não perder o parceiro/a, tenta prendê-lo e tenta controlar todos os seus passos e atitudes.

O que a traição e o sexo têm a ver com tudo isso? O ser humano é fruto de um sistema, composto por normas e diretrizes muito rígidas traçadas pela sociedade.
O ser individual vive em permanente conflito, tem desejos e vontades instintivas, opostas aos costumes pré-estabelecidos por uma falsa moral e por modelos arcaicos e tiranos.

É justamente a imposição desses modelos que causam os grandes problemas psicológicos e sociais. São as pessoas mais reprimidas que, muitas vezes, se tornam os pervertidos que tanto sofrimento causam a si próprios e a toda gente.

Ensinaram-nos que a relação amorosa deve ser pra toda a vida. E aqueles que acreditaram nessa premissa, vivem sofrendo com a realidade que, a cada dia, se apresenta diante de seus olhos e, principalmente, dentro de si mesmos, pois estamos todos intimamente sujeitos às diversas mudanças e aos efeitos dos apelos dessa mesma sociedade dogmática.

Nesse conflito vamos nós lutando bravamente pela sobrevivência. Queremos ser felizes e saímos em busca de alternativas imediatas. O resultado dessa busca incessante, visando alcançar a meta de manter o casamento eterno e o amor sexual sempre em alta, leva-nos à frustração, causando graves problemas biológicos que prejudicam a vida pessoal com significativa influência na área sexual, provocando problemas como frigidez, ejaculação precoce e impotência.

A cobrança da sociedade, para que haja um casamento eterno, leva-nos a pagar qualquer preço para manter uma relação, muitas vezes, infeliz e doentia, com a única finalidade de obedecer a ensinamentos que dizem: "ruim com ele/a pior sem ele/a..." "trocar de par é trocar de defeito..."

Melhor seria seguir um outro mais sábio: "Antes só do que mal acompanhado..."
O convívio forçado pode, no mínimo, levar aquele casamento "indissolúvel" ao tédio . Mas o indivíduo é impulsionado, naturalmente, pelos desejos sexuais. O sexo atrai as pessoas porque ele dá prazer.

E os seres humanos são levados a agir pelo instinto, desobedecendo aos padrões impostos pela educação. A este ato, puramente levado pela força do inconsciente, foi dado o nome de traição.

A pessoa que tem confiança em si e reconhece os seus méritos não sofre de ciúme e está sempre pronto para aceitar algumas modificações, mas jamais se anula pra satisfazer o outro, pois sabe que se houver um rompimento, o que vai lhe restar é um profundo sentimento de vazio.

É preciso estrutura emocional pra perceber quando o relacionamento já está desgastado, quando os dois já vivem em mundos distantes e não comungam dos mesmos interesses.

É preciso ter equilíbrio pra saber se este é um problema passageiro ou se está havendo uma ruptura definitiva de afinidades, onde a convivência já está virando angústia e amargura, causando danos à saúde.

A pessoa que se ama sobreviverá à dor de uma separação sem sentir culpa, sem se julgar inferior, nem traída.

Muito em breve estará pronta pra encontrar um novo amor, até que .... haja um desgaste ou não.

Com a maturidade e com a experiência de amores perdidos, podemos aprender a lidar com as diferenças; a escolher , valorizar as qualidades pra uma melhor convivência e, aí, sim, é bem possível conseguirmos desenvolver a nossa capacidade de tornar maior e mais forte os laços de união, sem insegurança, sem ciúme.

Autor(a): Lou Micaldas

 

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUA OPINIÃO SOBRE ESTA MATÉRIA

 

 

 

 

 


VOLTAR
AO TOPO DA
PÁGINA