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INFORMAÇÃO / VOVÔ AMA VOVÓ

COMO DEVERÍAMOS SER
publicado em: 02/03/2017 por: Lou Micaldas

O amor transforma, como num passe de mágica, subitamente, se não todos, pelo menos parte considerável dos nossos pensamentos, sentimentos, projetos e ideais, e, principalmente, comportamentos, sem que sequer nos apercebamos.
 
Faz, por exemplo, do pessimista, um sujeito pródigo em otimismo; do carrancudo, uma pessoa sorridente e alegre; do brusco, alguém que sai por aí esbanjando cortesia e gentilezas etc.etc.etc. Refiro-me, aqui, é bom que se explicite, a quem esteja, de fato apaixonado.
 
Não entra, pois, nesse elenco de comportamentos, quem apenas sinta atração sexual por alguma pessoa do sexo oposto. E nem o que julga amar alguém, mas que, na verdade ame tão somente a si próprio. Ou seja, o que entende que o outro tem que satisfazer, sempre, todos os seus desejos e caprichos, sem que precise manifestar a mínima reciprocidade.

Quando amamos, o mundo parece se transformar. Representa, para nós, que fica mais bonito, mais amável, menos árduo e mais encantador. Coisas que quase nunca valorizávamos, antes de nos apaixonarmos, passam a ter imenso valor.

Reparamos, de repente, por exemplo, nos dias de sol, aqueles cálidos e agradáveis de primavera ou de outono (que aqui na minha cidade costumam ser os mais belos), com um céu azul e um perfume adocicado e especial no ar. Valorizamos as noites estreladas, de céu limpo e de um glorioso luar, notadamente quando estamos na companhia da amada.

O cenário, trivial, de crianças brincando, que sequer notávamos há poucos dias, enche-nos, de repente, o coração de ternura e, não raro nos leva às lágrimas, que tentamos disfarçar se formos do tipo “durão” que entende que homem não chora. A maioria de nós, convenhamos, é assim. Ao vê-las, ficamos logo imaginando como seriam nossos filhos, gerados com amor infinito, por aquela pessoa especial que nos “fisgou”.

Quando estamos com a amada, então… Vivemos momentos de magia e encantamento, que os mais refinados poetas tentam, há tempos, em vão, descrever e dos quais nos dão, apenas, pálidas e incompletas idéias, a despeito da sua competência e criatividade. Esses instantes, porém, não são para serem descritos, mas usufruídos em toda a sua plenitude e esplendor.

Mudamos, subitamente, nossos hábitos (pelo menos, os piores). Se formos relaxados, de uma hora para outra passamos a nos preocupar com asseio, com aprumo, com os trajes que vestimos, com a limpeza e a arrumação dos cabelos, com o brilho dos sapatos, com o hálito, com tudo o que possa agradar e impressionar nossa musa. Policiamos o nosso linguajar e nos preocupamos com cada um dos assuntos que formos abordar, na tentativa de parecermos inteligentes, responsáveis e sensíveis ao alvo da nossa paixão.

Nessas ocasiões, nem adianta disfarçar, para os parentes e amigos, que estamos apaixonados. O simples brilho dos nossos olhos denuncia essa condição. E, claro, a súbita mudança do nosso comportamento confirma esse estado peculiar. Até o mais tolo dos tolos, ou o mais distraído dos nossos conhecidos, nota isso.

A despeito de tudo, porém, há momentos de intenso sofrimento, que chega a ser até físico, quando estamos perdidamente apaixonados. São os que antecedem os encontros com o foco, o motivo, o alvo da nossa paixão. As horas parecem se multiplicar, dá a impressão que o tempo parou e a ansiedade se torna aguda, furiosa, insuportável e nos causa profundo desconforto.

Subitamente… eis que vemos a amada à distância, caminhando, sorridente, em nossa direção. Um calorzinho gostoso percorre todo o nosso corpo. O coração parece vir parar na boca, pulsando, intensamente. E, a partir de então, não temos mais olhos para nada e ninguém. Perdemos a noção de tempo e de espaço e nos sentimos, de corpo e alma, no interior do Paraíso.

O escritor russo, Anton Tchekov, fez pitoresca observação a respeito, no seu livro “Apontamentos”, com a qual sou forçado a concordar. Escreveu: “Aquilo que provamos quando estamos apaixonados talvez seja o nosso estado normal. O amor mostra ao homem como é que ele deveria ser sempre”.
Já imaginaram se fôssemos sempre assim?!! E se “todos” fossem?!! Certamente o mundo não seria tão violento, injusto e repleto de violência, corrupção, taras, velhacarias, lágrimas e dor. Seria o resgate permanente do bíblico Éden original. Quem sabe, algum dia, não será?!!

Autor: Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor dos livros “Por uma nova utopia”, “Cronos e Narciso” e “O país da luz”.
E-mail: pedrojbk@bestway.com.br

Autor(a): Pedro J. Bondaczuk
Fonte: www.debatesculturais.com.br/como-deveriamos-ser/

 

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