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Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo afeta cerca de 10% das mulheres e pode ter inúmeras causas; sexo de qualidade é fundamental para manter a chama acesa

Cerca de 10% das mulheres não sentem desejo sexual nem conseguem ficar excitadas. Quando falamos de mulheres com idade em torno dos 60, essa proporção pode chegar a 20%. Para esse problema dá-se o nome de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo ou Transtorno do Interesse/ Excitação sexual feminino. As causas são as mais variadas possíveis, mas, infelizmente, a desinformação ainda é um dos maiores obstáculos à boa vida sexual delas.

O desejo sexual feminino está longe de ser simples. Há menos de 20 anos, ele era visto de forma similar ao do homem, com um ciclo linear, que começa com desejo, vem excitação, orgasmo e resolução. Porém, desde 2000 a forma de estudar a sexualidade feminina mudou completamente.

Atualmente, há dois tipos de desejo: o espontâneo e o responsivo. O espontâneo surge na mulher independentemente do contato sexual: aquela mulher que tem um pensamento erótico e se masturba, que quando um homem interessante se aproxima pode ficar excitada ou que só de olhar para o parceiro pode ter vontade de transar (frequente em relacionamentos novos). Já o desejo responsivo é a excitação que surge quando a mulher começa a ser estimulada. Ou seja, ela está tranquila, mas com um beijo mais quente ou preliminares ela quer, sim, fazer sexo.  

— Ao considerar que a presença do desejo responsivo é válida e, portanto, essa mulher não é disfuncional, houve uma mudança de paradigma muito importante e a redução no número de mulheres que antes eram classificadas como “sem desejo” — afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP).

A mudança de mentalidade é profunda. A mulher não pode mais ser considerada disfuncional se o estímulo não é efetivo.  

— O ejaculador precoce já foi o homem mais viril porque ele rapidamente resolvia. Hoje, esse parâmetro é absolutamente obsoleto. Esse homem tem que se tratar para compatibilizar seu tempo com o da parceira. As coisas mudaram. A sexualidade foi uma das áreas em que a mulher foi mais bem contemplada nos últimos anos, atualmente preocupa-se com a sexualidade feminina independente da masculina, estudamos as duas, entre tantas outras — explica Carmita.

Infelizmente, os avanços são lentos e ainda há profundo desconhecimento do próprio corpo por parte das mulheres.  

— A mulher que é muito reprimida sexualmente pode até não reconhecer o desejo físico, porque emocionalmente vai reprimindo essa sensação. Tem mulheres que depositam no parceiro ou parceira a sua sexualidade. Só sentem desejo quando estão envolvidas e não se sentem à vontade para se masturbar — afirma a psicóloga, terapeuta sexual e autora do “Sexoterapia”, Ana Canosa.

Muitas mulheres quando chegam à menopausa e perdem o estrógeno e, por consequência, a lubrificação vaginal, não sabem nem por que sentem tanta dor na penetração. Estudos indicam que apenas 4% das mulheres comentam com o ginecologista que estão sentindo dor por falta de lubrificação. Ou seja, se o médico não pergunta, a mulher não relata um problema que pode tomar grandes proporções, mas é possível de se resolver.

Se transar é doloroso, depois de um certo tempo, a mulher vai querer evitar, mesmo que esse processo seja inconsciente. Sexo bom ou ruim faz muita diferença para o desejo. Se o relacionamento já é duradouro, a idade avança e os problemas do dia a dia não dão descanso, o que faz a mulher querer sexo?  

— É a memória da gratificação sexual. Ela se disponibiliza a fazer sexo porque sabe que no final ela goza e é bom. Por isso que fazer sexo com qualidade é extremamente importante para uma mulher, como uma motivação para uma outra vez.

Além disso a mulher passa por muitas oscilações hormonais, não só durante a vida, como durante o mês. No ciclo há uma fase mais propícia para o sexo, que é geralmente quando ela está ovulando. Por outro lado, os hormônios dificultam a vida em algumas fases, como na gestação, durante a amamentação, no climatério e pós menopausa.  

Causas e tratamentos

A mulher só tem Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo caso isso provoque incômodo ou sofrimento. Se ela não sente desejo, nem se excita, mas está muito bem, obrigada, não há o que ser tratado.  

Também é preciso ver se a situação dura há, pelo menos, seis meses. É mais do que natural não ter vontade de transar se acabou de perder o emprego, está de luto, ou com alguma preocupação momentânea.

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Uma vez que a situação se prolongue e cause insatisfação, é hora de procurar ajuda e descobrir as causas. E elas são muitas.   

— A falta de desejo tem ‘n’ possibilidades. A primeira é a parceria: o parceiro não sabe estimular, tem dificuldade de ereção ou ejaculação precoce. Pode ter origem física, como um distúrbio hormonal ou alguma doença sistêmica, cardiovascular ou diabetes, por exemplo. Também pode ter origem psiquiátrica, com depressão, ansiedade, estresse pós-traumático ou medicamentos que inibem o desejo. Pode ter problemas de ordem relacional: o relacionamento está comprometido e aí o desejo acabou. E pode ter outras questões como autoestima baixa, autoimagem negativa, evitando o contato porque não se sente interessante ou apta. São algumas possibilidades — diz Carmita Abdo.

Quando tudo é investigado e nada encontrado, a mulher realmente sofre com o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo. Nos Estados Unidos, o FDA aprovou a pílula rosa: um medicamento que atua no sistema nervoso e promete acionar o desejo. Ela não foi aprovada no Brasil e é alvo de críticas pois tem um monte de efeitos colaterais. Além de ter que ser tomada todos os dias, sem misturar nunca com bebida alcoólica, pode provocar náusea, tonturas e até queda na pressão.   

Há também quem procure tratamentos sem comprovação de ação, com uso da testosterona ou antidepressivos como a bupropiona. Mais uma vez, correndo o risco de vários efeitos colaterais.   

— Estamos fazendo pesquisas e trabalhos e vamos encontrar alternativas — afirma a psiquiatra. Por enquanto, ela recomenda terapia sexual, para descobrir um jeito de achar o sexo interessante.  

Para a terapeuta sexual Ana Canosa, é importante também se colocar à disposição do sexo:

— Entender como você funciona é essencial para uma mulher. Se não entender como seu corpo funciona, sua fantasia, o que bota você para baixo, o que te desperta, não vai conseguir driblar os momentos em que seu desejo sexual diminui. Aí é melhor dormir.  

 

Autor(a): Constança Tatsch
Fonte: oglobo.globo.com/celina/desejo-sexual-feminino-entenda-como-funciona-por-que-ele-as-vezes-desaparece-23703094
Colaborador(a): Neide Fonseca

 

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