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INFORMAÇÃO / VOVÔ AMA VOVÓ

SEPARAÇÃO, DIVÓRCIO: DO AMOR AO ÓDIO, DA PAZ AO PERDÃO
publicado em: 17/11/2016 por: Lou Micaldas

Foto: Patrick Sheàndell O’Carroll/AltoPress/PhotoAlto
 
Conta a lenda que o amor é lindo! Visto de longe, postado nas redes, até a página oito, diriam os mais céticos. Contado em romances, rimado em prosas e versos, vendidos em melosos filmes hollywoodianos, enlouquecem histriônicos adolescentes de todas as idades. Romeus e Julietas transcendem séculos, morrem-se de amor em noites quentes de verão. Sonhar e fantasiar é preciso.
 
Só que amor é “outríssima” coisa, perdão pelo neologismo. Tão distinto do que seu uso vulgar e banalizado, que nem me atrevo a aqui defini-lo. Afirmo apenas que amor é raro. Intraduzível, indizível, homenageio assim os merecedores de terem conseguido semeá-lo, cultivá-lo, frutificá-lo, eternizá-lo.
 
Já paixão… Basta olhar, ouvir, tocar, cheirar, degustar. Espalha-se no ar, estala, explode. Enxurrada de emoções, arrasa quarteirões de sentimentos passionais.
 
Perigo à vista, cegueira da razão, é o tal “vamos morar debaixo da ponte” que Deus me livre! Vício, dependência afetiva, um “crack” que leva os pombinhos a cheirar, injetar, fumar cada molécula do outro. Pensa 24 horas, deseja, vigia, quer tomar posse, enlouquece de ciúme, de carência, abstinência. Ok, tentei, mas não consegui: apaixonados são extremamente ridículos, sem noção, sem senso crítico. Falei, pode xingar, mas quando sua paixão acabar, releia na caixa “lixo”. Ou unlike, mas não delete. Paixão é “dor” em latim. Finita, e, ao final, deixa aversão, indiferença ou, pior, mágoa ou ódio.
 
Pois é, vai que tenha casado, no pique do príncipe ou princesa, ou juntado, acasalado, mudado o rumo de sua vida, mudado de cidade, de emprego, brigado com sua família, tido filhos, comprado imóveis, carro, feito investimento. De repente, acorda um dia, lúcido o suficiente para perceber que a chama apagou. Que simplesmente o “amor da vida” está ali, roncando, desleixado ou, se for ela, nervosa, com as celulites inevitáveis, o cabelo em pé; no caso dele, barriga generosamente ocupando metade do leito, bafo de onça, meleca no nariz. Sejamos justos, nada diferente do que sempre foi, até que o encanto quebrou, a magia acabou.
 
Começa o desencanto, cobranças mútuas, frustrações com ovos quentes pela manhã, gritos e ofensas com macarrão no almoço, emburramento e mau humor com pão de queijo antes de deitar. Filhos de tiro ao alvo, detox de sogra, ofensas familiares. Durma-se com um inimigo desses. Sofá na sala, mudez na casa. Demora para chegar do trabalho, fim de semana na casa da mamãe ou mamando com os amigos. Trombam no corredor, soltam palavrões.
 
Amantes eventuais, sopapos lamentavelmente, às vezes. Fofocas, amigos sinceros ou falsos, abrandam ou colocam fogo na situação. Separa não separa? E as crianças? E os bens? Procura advogado? Padre? Pastor?
 
O que tem me assustado é um enorme abismo comportamental que vejo se abrindo entre os gêneros. Se há 50 anos homens casavam até para desvirginar uma paixão feminina, ou por escolha dos pais, interesses financeiros e, pasmem, por ser uma moça prendada e de boa família, hoje eles casam por posse, ciúme, interesse, porque “elas sonham em se casar”, ou soltam um irresponsável “se der certo, bem, se não der, separo”.
 
Antes que seja crucificado: sim, existem homens que querem encontrar uma companheira, amá-la, ter filhos. Minoria, francamente. A mulher adulta jovem está dividida entre avançar na carreira, ser independente, ter que ser magra, malhada, bem-vestida e ter que paquerar, selecionar os predadores dos encantadores, sedutores no meio. Bebem, isso é um risco, mas quem não? Fazer sexo rápido, esperar, se fizer e ele sumir? E se não fizer e ele sumir? Conciliar carreira e filhos, e marido, e casa, e academia, e salão, e chapinha, e o assédio no trabalho, na rua?
 
Homens que estupram, bêbados e pueris. Mulheres carentes e inseguras, competitivas. Ora, está tudo errado. Famílias que não se comunicam, cada um com sua mídia, pais separados, recasados, fingindo que são casados, filhos que não querem casar, nem ficar solteiros, nem sair de casa, nem conseguem trabalhar; se trabalham, não se sustentam; se estudam, não concluem. Traz namorado ou namorada pra dentro ou deixam neto pra traz.
 
Quem não amadureceu pode compreender que perdão é curar a si mesmo? Quem nunca amou pode separar em paz? Poupar filhos? Priorizá-los?
 
Casamento deveria ser igual a curso de direito: após algum tempo sai bacharel. Mas para exercer, precisa de prova da OAB. Uma minoria deveria receber diploma.

Autor(a): Eduardo Aquino
Fonte: Jornal O TEMPO
Colaborador(a): Marisa Mendes

 

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