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INFORMAÇÃO / VOVÔ AMA VOVÓ

VELHICE NÃO É DECADÊNCIA
publicado em: 06/01/2017 por: Lou Micaldas

 
VELHO, EU?
 
A gente vai vivendo sem perceber que está envelhecendo. Não existe uma data marcada que indique: a partir daqui você é velho.

O envelhecimento é um processo contínuo, lento. A consciência súbita do envelhecimento geralmente causa um susto, um trauma psíquico. Muitas vezes somos informados de que estamos envelhecendo por elogios que chegam a ser pândegos, pra não dizer desastrosos.

Minha mãe, Magdalena Léa, descreve em seu livro, "Quem Tem Medo de Envelhecer?" alguns desses elogios:

*Como você está conservado! (Logo nos vem a desagradável imagem de sardinhas em lata)

* Você deve ter sido muito bonita quando era jovem! (Quer dizer que agora sou feia?)

Ela nos relata alguns casos pitorescos a propósito da pesquisa feita por um jornalista parisiense sobre o tema: "Quando se Haviam Sentido Velhos pela Primeira Vez".

Um político diz: "Quando me ofereceram uma cadeira depois de um discurso, interrompido pela tosse".

Certo cientista respondeu: "Quando tomei em meus braços minha primeira neta."

E uma artista de cabaré afirmou: "Quando meus admiradores começaram a me presentear com jóias falsas."

Uma amiga nos veio contar, muito desapontada, que vinha pela rua, quando ouviu: "que bela coroa!" A frase não é nada má, mas ela se pôs entre o bela e o coroa e não sabia se ria ou se chorava.

VOVÔ & VOVÓ

O medo de ser considerado velho e o falso conceito sobre a idade fazem algumas pessoas reagirem de forma defensiva ao anunciarem o auspicioso acontecimento de se tornarem avós. Não que isso lhes seja ruim, mas é que tal título denuncia já terem idade para isso.

Alguns participam, assim, aos amigos:

- Minha mulher já é avó!

Há mulheres que preferem dizer: "Minha filha teve um nenê!"

Outras ensinam aos netinhos a chamarem-nas de titia ou de dindinha.

Outras ainda ralham com as crianças, em público: "Parem com isso! É só gritando vovó, vovó! Que coisa!…"

E a coisa é ela ter idade para ser avó.

VAMOS RETARDAR A VELHICE?

Mas, como retardar a velhice?
Não há de ser negando-a, combatendo-a, revoltando-nos contra o inevitável, mas aceitando-a, desfrutando-a como uma das fases naturais da vida.

A marcha do tempo, ninguém pode detê-la. Diante do inevitável, algumas atitudes costumam ser tomadas: fugir, negar, debater-se ou adaptar-se.

Qualquer pessoa pode ver qual a mais inteligente. Fugir é impossível, o tempo é inexorável em sua marcha. Negar a idade é subestimar a vida e as outras pessoas.
Debatermo-nos é gasto inútil de tempo, de forças e energias. Adaptarmo-nos às circunstâncias, quando não pudermos adaptá-las a nós, é a sábia atitude.

O que não podemos realmente é estragar a fase de maior duração de nossa vida devido a falsos conceitos. Somos jovens por muito pouco tempo e temos uma longa jornada a partir da idade madura.

O mundo muda, renova-se a cada instante; renove-se você também. Não pare no tempo. Não queira ser estátua.

Devemos buscar soluções novas para novos problemas. Problemas e conflitos são de todas as idades!

Consideremos nossa idade uma honraria.

Cada dia uma medalha, cada ano um troféu. Precisamos nos convencer disso e convencer os outros também. É necessário nos libertarmos do medo de envelhecer, que é o que mais envelhece.

É no psiquismo que devemos atuar. As forças negativas, como a tristeza e a raiva, aceleram o processo do envelhecimento.

Vamos extirpá-las. A consciência íntima de que "velhos são assim mesmo" é que faz os velhos continuarem "assim mesmo".

Somos uma carneirada? Só de longe em longe surge um "carneiro" subversivo, que escandaliza o rebanho. Este é o bom! Revoluciona os costumes e traz consigo a mudança.

Antes de gritarmos pela liberdade dos povos, gritemos pela liberdade individual, e estaremos a caminho da liberdade dos povos.

Que nos é proibido? Tristeza.

Vivemos encarcerados em nossos preconceitos, falsos conceitos, tradições, regras que tanto nos infelicitam. A eles vivemos agarrados, por hábito, por vício, por serem eles uma herança que nos ficou dos antepassados, com o compromisso de passá-la aos descendentes.

Tracemos um plano de liberdade. Sejamos, com a nossa ciência de viver, um exemplo para os que vêm atrás de nós.

Vamos retardar a velhice, andando de queixo erguido, que ergue o moral.

Não fixemos o nosso olhar no passado, para não perdermos a perspectiva que temos à frente e principalmente pra não desperdiçarmos o presente. O agora.

Quantos prazeres nos passam desapercebidos, quantas oportunidades perdemos, em segundos, por não estarmos atentos a este espaço pequeníssimo que é o HOJE?

Ganhamos, a cada dia, meios de defesa da nossa saúde e bem-estar! A cada passo, a Ciência apresenta algo novo em benefício da humanidade.

Cabe a nós torná-la melhor, dentro dos nossos limites e possibilidades. Proclamar que o mundo de hoje é um caos não resolve nada, nem para nós nem para o mundo.

Melhor será não contribuir com nossa visão caótica.

"O mundo não é mais como antigamente…" - exclamou com tristeza o Imperador Jaune há… três mil anos.

Amemos a vida, esse precioso bem, e lembremo-nos de que a vida, generosamente, nos dá mais vida.

Cuidemos do corpo e da mente para que eles nos retribuam com saúde, que é a base da felicidade.

Bertrand Russel dizia: "À medida que o tempo passa, mais aumenta o gosto de viver." A nostalgia da mocidade aumenta o medo, a raiva, o desgosto, que sobem à face, cavando rugas.

Vida é prêmio. E envelhecer representa uma vitória.

Devemos ter orgulho de nossa idade. Tanto mais orgulho quanto mais avançada for, pois estamos cumprindo nosso roteiro, caminhando para o ápice de uma escalada que não é dado a todos atingirem.

Quantos ficam pelo meio do caminho? Coitados, nem chegaram a envelhecer! E, então, nossa atitude só poderá ser a de um vitorioso. Vencemos doenças, balas perdidas e algumas direcionadas e certeiras...

Não olhemos para os jovens com inveja; eles também choram. Aliás, jovem nós já fomos. Estamos noutra! Sejamos realistas: quantos obstáculos, quanta luta pela vida, quantas dúvidas já vencemos?

Na juventude éramos interrogação. Hoje somos a resposta.

REJUVENESCER
Constatamos freqüentemente como certos indivíduos remoçam, aparentando dez anos menos que sua idade cronológica, quando mudam hábitos e corrigem erros de uma vida inadequada à felicidade.

A magia de um feliz acontecimento, uma atividade prazenteira, o cultivo de uma arte, a realização pessoal, um novo amor, e eis que o indivíduo nos surpreende com sua aparência totalmente remoçada.

Não veio dos potes, das ampolas; não é pílula, nem são gotas milagrosas. Toda a jovialidade se reflete na postura, na voz, no brilho dos olhos, no sorriso, no dinamismo, na desenvoltura, no "élan" vital.

E o que é isso, então? Isso se chama alegria de viver. Chama-se amor à vida.
Se sabemos que desgosto envelhece e mata, podemos crer que o gosto cultiva a vitalidade e prolonga a vida.

Vamos, diga NÃO à velhice triste, e você verá como seu rosto resplandece.

Sempre que pensamos num velho, visualizamos como ele é, nunca como ele poderia e deveria ser, mesmo na mais avançada idade.

Muitos são os velhos que vão até ao máximo que lhes é dado viver, prezando a vida, lúcidos e ativos. Por que, então, todos os velhos não se esforçam para serem assim?

Os madurões que há bem pouco tempo poderiam ser considerados "velhos acabados", decadentes, com seus 50, 60 anos ou mais , estão fazendo sucesso no teatro, na TV, na literatura, na música, no esporte e na vida social.

Só pra exemplificar: No campo das artes cênicas, Oswaldo Louzada, Carmem Silva, Hebe Camargo, Eva Wilma, Fernanda Montenegro, Dercy Gonçalves, Nicete Bruno, Raul Cortês, Paulo Goulart, Tarcísio Meira e Glória Menezes, Lima Duarte; na literatura, Zélia Gattai, Rachel de Queiroz, na música Braguinha, Altamiro Carrilho, Lindalva Cruz, Bob Nelson; na Medicina, Ivo Pitangui, Nova Monteiro; no esporte, Maria Lenk, Zagalo, João Havelange, etc. São tantos os ídolos madurões, na dita Terceira Idade, como Lygia Maria Lessa Bastos, Osmar Frazão, Geraldo Casé, Major Elza Cansanção, todos em plena atividade, cheios de entusiasmo, quebrando o tabu de que os velhos são assexuados, que murcharam para o amor, pra vida, que são caducos, inúteis.

Estão bem vivos, brilhando, provando que a saúde mental pode nos acompanhar ao longo de toda a vida.

Citei apenas alguns dos muitos que já são chamados de anciãos. Quantos serão ainda os que não se fazem notar mas que brilham na sombra do anonimato?

E Magdalena Léa nos ensina:
Sabe você o que é entusiasmo? A palavra é formada no grego, cujos os elementos são: en, que quer dizer dentro de, e theos, que quer dizer Deus. Sua formação tem o belo significado - Deus dentro. Deus que é sopro divino, inspiração, alma.

Temos Deus dentro de nós! Somos poderosos pra escolhermos o caminho da alegria de viver, cantando todos os dias com Roberto Carlos:
"Obrigado, Senhor por mais um dia!"

A vida é bela e merece ser vivida!

Respondam à pergunta de Lucrécio, filósofo grego: "Por que não sair do banquete da Vida como um conviva saciado?"

Sigam o sábio conselho de Magdalena Léa:
"Meus amigos ponham a Vida numa bandeja, e sirvam-se."

Alguns trechos foram compilados do livro
"Quem Tem Medo de Envelhecer?" - de autoria de Magdalena Léa

Autor(a): Lou Micaldas

 

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